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Redação na escola - Artigo 4


Correção de redação na escola
por Cristina Ramos


Após pensarmos um pouco sobre os "defeitos" mais comuns encontrados pelo professor na correção de redações escolares, vamos refletir sobre algumas possibilidades de correção que, sendo lógicas e coerentes, não causam transtornos para o aluno no decorrer de sua existência. Na realidade, o que estou propondo ao leitor é que a correção seja encarada como uma leitura, vista do turno do professor, isto é, a versão original, aquela que os professores normalmente consideram como objeto de correção.

O que se tem visto é que nessa leitura inicial das produções o trabalho de correção tem o objetivo de chamar a atenção do aluno para os problemas do texto. A tarefa de corrigir é, assim, uma "operação caça-erros" já que, quando intervém por escrito, o professor dirige a sua atenção para o que o texto tem de "ruim", não de "bom"; são os "defeitos" e não as "qualidades" que, com raríssimas exceções, são focalizados. Assim, as correções consistem no trabalho de marcar, no texto do aluno, as possíveis "violações" linguísticas nele cometidas contra uma suposta imagem do que venha a ser um bom texto. Por essa razão pode-se dizer, sem dúvida alguma, que a leitura feita pelo professor, via correção, não é a mesma que a leitura realizada pelo leitor comum.

Quando lemos alguma coisa, partimos do princípio de que aquilo nos faz algum sentido, isto é, tem coerência. Koch e Travaglia (1990:21) afirmam que a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer algum sentido para o texto, ou seja, é ela que faz com que o texto faça sentido para os usuários. Está ligada, portanto, ao princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o sentido deste texto.

Infelizmente, não é isso que geralmente acontece quando um professor corrige uma redação. É por isso que se transforma, no momento da leitura, em um "caçador" de erros, pois lê nessa expectativa - a de encontrar falhas e, assim, fazer jus a seu papel instituído de corretor. Observa-se, entretanto, o uso de expressões como bom, muito bom, ok, com a finalidade de reforçar positivamente a escrita do aluno em determinado trecho. Isso é interessante e confirma que "caçar erros" é esta uma preocupação permanente dos professores.

Vamos tentar descrever as diferentes formas de intervenção empregadas pelos professores, resultado de pesquisas que há tempos venho fazendo em produções, tomando como referência a tipologia de redações mencionada por uma autora italiana, Serafini (1989), que muito se aproxima da que encontramos nos textos considerados.

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