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Redação na escola - Artigo 4


Correção de redação na escola
por Cristina Ramos


Enfim, dependendo dos objetivos, que devem ser bastante específicos, o modo de reescrever o texto diversifica-se.

Parece-me claro até agora que, tratando do assunto reescrita, já estamos falando em correção.

Alguns professores afirmam que fazem um trabalho de reescrita coletiva no quadro-negro, ocasião em que discutem oralmente, com todos os alunos da classe, um ou mais textos selecionados especialmente para esse fim (já vimos essa sugestão no livro de Wanderley Geraldi, O Texto na sala de aula)4. Seria interessante que, esse texto, escolhido para leitura e análise por toda a sala, seja retirado do conjunto de produções realizadas pelos alunos da classe e reproduzido de alguma forma - mimeografado, fotocopiado, transparência ou cópia no quadro - sabemos que isso tudo é muito trabalhoso e parece-me estar escutando os professores dizendo: "Não temos mimeógrafo, não há dinheiro para cópias,"... - para que seja reescrito pelo grupo, auxiliado pelo professor.

Algumas vezes, o texto é "maquiado", adulterado pelo professor, isto é, revisado na maior parte dos problemas que apresenta, e reescrito de forma que se mantenham os problemas de apenas um tipo específico - assim, de nada valeu a metodologia. Os problemas não-focalizados serão, provavelmente, aqueles que estão sendo revelados temporariamente em virtude desse trabalho de reescrita coletiva e seleção metodológica de um aspecto de linguagem específico para fins de análise.

Assim, nessa conjuntura, o ensino gramatical é tratado das mais variadas formas. Assim como há os que insistem em aulas específicas de análise morfológica e sintática, com fixação na metalinguagem, há os que as abolem totalmente da sala de aula. Neste último caso, a análise linguística de textos lidos e produzidos pelos alunos constitui-se lugar privilegiado de reflexões de cunho gramatical.

Vamos entrar, agora, com reflexões específicas sobre a correção, nome corriqueiro que se dá àquela tarefa comum, típica de todo professor de Português de ler o texto marcando nele, geralmente com a tradicional caneta vermelha, eventuais "erros" de produção e suas possíveis soluções. Vamos pensar, então, no ato de corrigi-los. Já disse que, para mim, correção é o texto que o professor faz por escrito no (e de modo sobreposto ao) texto do aluno, para falar desse mesmo texto.

São muitas as estratégias utilizadas pelo professor para intervir no texto do aluno. Eu, entretanto, exposto o que penso sobre correção, vou analisar somente as intervenções escritas vulgarmente chamadas de "correção", que se preocupam com alguma infração textual apenas e tão somente. Não farei nenhuma distinção semântica entre problema e infração, apesar de concordar que a última se aproxime mais do conceito de "erro" usado na escola, uma vez que a idéia de erro implica a noção de norma e não se encaixa, portanto, no tipo de categoria mais geral que estou buscando caracterizar.

Pécora (1983) fala em problema de redação, enquanto Costa Val (1994) utiliza igualmente o termo infração. Embora ache que essas nomenclaturas mereçam um pouco mais de reflexão, vou adotá-la, assim como esses estudiosos, cuja pesquisa tem como objeto de estudo os textos escolares.

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