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Redação na escola - Artigo 4


Correção de redação na escola
por Cristina Ramos


Eliana Ruiz diz que gostaria de "debruçar-se sobre um trabalho no qual acreditasse, um trabalho que não encarasse a correção como um fim em si mesma e, por isso, não se esgotasse nela". Acho que o que ela quer dizer é que esse seria um trabalho que tomasse o professor como mediador importante, e a tarefa de correção como alavanca propulsora de um processo que continua, necessariamente no próprio aluno com a retomada de seu texto. E daí, penso que é absolutamente fundamental que a análise esteja voltada para um outro tipo de correção - aquela que visa também (e sobretudo) à reescrita dos textos corrigidos. Sim, porque professor que não solicita a reescrita do texto do aluno (sem nenhum medo de estar errada), precisa passar por uma atualização constante. É nela que está o segredo do "conserto" do sério problema das redações escolares sem conteúdo.

Se formos analisar a situação (andei conversando com muitos professores de Língua Portuguesa em São Paulo e aqui, em Rolim de Moura e em outros municípios), veremos que a frequência de produções realizadas pelos alunos varia muito. Há casos em que eles escrevem, em média, um texto diferente por semana. Mas há também aqueles, menos comuns, em que o total de textos não passa de dois por bimestre.

Na mesma pesquisa viu-se que o professor corrige redações numa frequência diversificada: uns corrigem todos os textos produzidos, outros fixam um determinada número para ser corrigido por bimestre, independentemente da quantidade produzida pelos alunos nesse intervalo de tempo e outros, ainda, além de corrigir, avaliam quantitativamente, por meio de nota ou conceito, algumas produções. Em razão dessa diversidade, a frequência com que as revisões ocorrem é bastante variável: assim como há textos cuja reescrita simplesmente não é realizada - não se sabe por que motivos, se pessoais ou não - há casos de textos que são reescritos e corrigidos mais que duas vezes.

Outras vezes, os próprios colegas revisam o texto dos demais, quer dizer, a correção do professor não é o fator mais importante. Tal atitude faz com que falhas sejam apontadas numa leitura conjunta, normalmente em duplas ou grupos pequenos. Segundo Ruiz, a reescrita individual ocorre em algum momento do processo e das mais variadas formas: 3

seja por meio da reelaboração de todo o texto (reescrita total) numa segunda versão - procedimento comum a todas as escolas;

seja através de apagamento de trecho(s) da versão original e inserção da(s) forma(s) substitutiva(s) in loco, nessa mesma versão (reescrita parcial sobreposta à original) - procedimento típico de uma escola somente;

seja na forma de uma "errata" simplificada, em sequência ao texto da primeira versão, onde se apresenta(m) apenas a(s) forma(s) substitutiva(s), a título de segunda versão (reescrita parcial não sobreposta à original) - procedimento típico da escola de redação.

Mas ... como se dá essa variação? Aí entra o aspecto pragmático, penso eu. Os professores acham que o trabalho de refazimento pode tornar-se uma atividade maçante, principalmente para os alunos que têm dificuldades acentuadas de produção. As revisões 2 e 3, parecem-me, são uma tentativa de tornar a tarefa de revisão menos trabalhosa e, por certo, mais rápida. Mas como poderemos fazer isso? Acho que há algumas estratégias: a) fazendo o aluno proceder à reescrita de todo o texto, quando é grande o número de problemas (é lógico que isso deve acontecer em todas as escolas), e à "errata", quando o número de problemas é pequeno; b) fazendo o aluno proceder à revisão in loco sempre, por economia de tempo e trabalho e trabalho; ou quando só um determinado tipo de infração foi selecionado para ser trabalhado na reescrita - como ortografia, por exemplo (metodologia da análise linguística); ou ainda, quando as infrações são poucas e/ou mais localizadas.

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