Artigos

Monografia

Página 10
[ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,10 ]

Redação na escola - Artigo 4


Correção de redação na escola
por Cristina Ramos


Os "bilhetes" se explicam, pois em face da impossibilidade prática de se abordarem certos aspectos relacionados ao trabalho interventivo escrito por meio dos demais tipos de correção apontados. Se resolver ou indicar no corpo, assim como indicar ou classificar na margem não parecem satisfatórios, o professor recorre a essa maneira alternativa de correção, relativamente aos tipos apontados por Serafini. Utiliza, daí, aquele espaço em branco que sobra abaixo da redação na folha de papel, que não foi preenchido pela escrita do aluno.

O que percebi nitidamente nessa estratégia, obviamente em relação aos textos analisados é que, quando falam da revisão, os professores tematizam ora o comportamento verbal do aluno, ora seu comportamento não-verbal. Percebe-se, também que, quando o professor não está interessado em falar dos problemas do texto em si, mas, sim, de outros aspectos relacionados à tarefa de revisão, é por depois motivos que o faz: ou para elogiar o que foi feito pelo aluno (aprovando como foi feito o que o que foi feito), ou para cobrar o que não foi feito. Um exemplo:

Maria Laura, faça as correções com calma, utilizando o dicionário, se for preciso. Sua história está bem estruturada, mas é preciso cuidar da pontuação.

SN
Roberta, você entendeu bem a proposta e criou fatos para ligar as duas histórias. Refaça, com cuidado, as correções. Um beijo e um queijo,
N
Vale a pena ressaltar que o "bilhete" escrito pela professora para Maria Laura, teve resposta, logo abaixo:
"Vou tentar melhorar", escreve a menina e a professora ainda continua o processo escrevendo:
"Melhorou. Corrija o que falta. Gosto de ver a sua dedicação ao estudo de Português". SN

Os "bilhetes" de SN não fazem referência apenas à estruturação da narrativa de M. Laura, mas também e, sobretudo, ao seu empenho no trabalho de produção e revisão de texto. Pela resposta que esta dá em sequência ao texto da professora, percebe-se que este é o aspecto da correção que mais lhe toca, já que retomado em sua fala e reflete a troca de turnos que ocorre na interlocução aluno/produtor/professor/aluno-revisor.

Os "bilhetes", na realidade, tentam ir além das formas corriqueiras e tradicionais de intervenção, para falar dos problemas do texto. A correção textual-interativa é, pois, a forma alternativa encontrada pelo professor para dar conta de apontar, classificar ou até mesmo resolver aqueles problemas da redação do aluno que, por alguma razão, ele percebe que não basta via corpo, margem, ou símbolo.

Após essa descrição geral das diversas formas de intervenção escrita a distância (em ausência, portanto) do professor no texto do aluno, na próxima série de artigos, procederei ao relato do exame das reescritas (revisões) elaboradas, as quais também analisei, tentando sequenciar meu trabalho. Quando assim procedi, queria saber qual a natureza das alterações realizadas pelos alunos em suas redações a propósito de correções resolutivas, indicativas, classificatórias ou textuais-interativas.

Continuarei minhas reflexões em outra oportunidade.

ABAURRE, M. Bernadete M. et alii. 1997. Cenas de Aquisição da Escrita. O sujeito e o trabalho com o texto. Campinas: Mercado de Letras.
ALVES, Rubem, 1997. O que eu quero é fome. In: ALVES, Rubem. Cenas da vida. Campinas: Papirus, pp. 53-6.
JESUS, Conceição A. de. 1995. Reescrita: para além da higienização. Dissertação de Mestrado. Campinas: IEL, Unicamp.
KATO, Mary. 1986. No mundo da escrita. São Paulo: Ática.
MARCUSCHI, Luiz A. 2001. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez.
SERAFINI, Maria T. 1989. Como escrever Textos. Trad. de Maria Augusta Bastos de Mattos. São Paulo: Globo

Página 10
[ 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,10 ]